Descrição
Este livro vem de longe e ao mesmo tempo de perto, de dentro do coração e também do estômago, trata do
tempo e também do espaço e do levar e do ser levado. A alma em sua potência brincante desobedece o
seu próprio fazer poético e na (im)possibilidade da linguagem, se instaura como um devir em encontro
com a matéria e a cidade a vir a ser. Transbordante e em devaneio, a alma levada busca um ponto inusitado de encontro com o corpo-cidade, não para atingir uma estabilidade entediante, mas para se fazer e refazer numa brincadeira amena de atenção e desatenção aos pontos que por vezes se passa despercebido.
Ao se inclinar de forma, por vezes, cambaleante e ébria para a poesia, se inclina também para o exercício meditativo sobre o que é estar e viver nesse mundo. Na sua levada própria, o seu escrito vai se configurando uma espécie de poesia que também é filosofia, uma poesia que é brincante e ao mesmo tempo séria e que se dá junto a criação e reinvenção de vida e de conceitos-chaves.
Nesse sentido, escrever esse livro foi como reexperimentar o mundo e as sensações com o intuito de reconectar pontos, revisitar paisagens e criar pistas poéticas para abrir a possibilidade de que a nossa alma seja levada e ao mesmo tempo, lavada. Talvez uma proposta de vida-viagem e exercício de linguagem-lavagem, talvez um mero vislumbre poético antenado ao que pode vir.